História da Dança de Salão

por Keice Granzotto Casarri

As primeiras danças aconteceram em rituais de misticismo. Com a movimentação ritmada do corpo e com o acompanhamento de instrumentos, um estado de transe era procurado. Estado que permitia vivenciar momentos místicos.

Quando o homem chegou a outro estilo de vida, o de viver em sociedade, a sobrevivência comum exigiu que tarefas como a caça, a trituração de raízes, sementes, folhas etc. fossem organizadas e muitas delas eram realizadas e reguladas por marcações rítmicas, como pancadas e gritos.

Um dos grandes filósofos gregos, Sócrates, acreditava que a dança poderia formar um cidadão inteiramente, uma vez que apresentava as proporções corretas ao corpo, ensinava uma fonte para ter boa saúde e era vista como uma ótima maneira de reflexão estética e filosófica. O pensamento de Sócrates ganhou espaço na educação grega e foi reforçado por essa civilização, que não separava o corpo do espírito e acreditava no equilíbrio entre ambos como caminho para o conhecimento e a sabedoria.

Por muitos anos, a dança foi objeto de adoração, mas os tempos não foram só glória para essa arte: houve adversidades e tentativas de destruí-la. Na primeira parte da Idade Média, a dança foi considerada pagã pelo clero. Perdeu força no século IV e foi banida no século XII. Apenas no renascimento voltou a aparecer e a ocupar lugar de destaque.

Na segunda parte da Idade Média surgiram os mestres de danças, que acompanhavam os nobres e, muitas vezes, tinham cargos de confiança. Aos poucos, eles se converteram em professores de boas maneiras e a dança passou a fazer parte da educação dos cavalheiros.

Depois que a dança foi inserida na educação da nobreza, por vários períodos, dançar foi privilégio apenas do sexo masculino. Só muito mais tarde as mulheres foram iniciadas.

Com a participação das mulheres, vieram as danças lúdicas, que eram expressas em festas e comemorações. Assim, a dança começou a fazer parte dos encontros da nobreza em seus salões, dando origem à dança de salão.

Genericamente conhecida como dança social, a dança de salão é caracterizada pelo agrupamento em pares com papel masculino e feminino bem definido. O termo “de salão” veio pela necessidade de salas grandes, os salões, para que fosse possível realizar as evoluções das danças.

A dança de salão apareceu pela primeira vez nas cortes italianas e depressa chegou até a França e a Inglaterra. Como uma prática de excelência e uma atividade de prestígio, foi estabelecida como parte da aristocracia da época, que a diferenciava das classes mais pobres, praticantes somente das danças folclóricas.

Os ritmos mais dançados eram os estilos mais clássicos e elegantes, como a dança medieval básica, com passos pequenos e deslizantes. Nos séculos XV e XVI surgiram os ritmos mais rápidos, como a Sarabande, na qual os casais passavam entre filas de bailarinos. Em seguida, o Galliard e a rodopiante Volta.

Ainda na Europa, era possível apreciar o delicado Minueto. A Valsa, originária de uma versão simplificada da dança austríaca denominada Lãnder, deu ao ano de 1776 o título de marco fundamental para a história das danças de salão. Nesse período, houve a primeira exibição de Valsa em Viena e foi também a primeira vez que os bailarinos se tocaram de maneira mais íntima ao dançar. O contato físico, necessário ao dançar, escandalizou muita gente.

Quando a prática da dança social começou a ser levada a sério, teve início a organização da dança de salão. Além das pessoas que dançavam socialmente também existiam as que dançavam com finalidade competitiva. A dança se dividiu entre social e de competição. Foram os ingleses os primeiros que percorreram vários países para encontrar a síntese de cada ritmo, codificando a forma de dançá-los para criarem as primeiras competições.

 [...] surge o profissionalismo [...] até então, a dança era uma expressão livre; a partir deste momento, toma-se consciência das possibilidades de expressão estética do corpo humano e da utilidade das regras para explorá-los. Além disso, o profissionalismo caminha, sem dúvida, no sentido de uma elevação do nível técnico. (BOUCIER, 1987)

No Brasil, a dança de salão chegou no século XIX, com os professores de etiqueta e dança social da corte portuguesa, que vieram com dom João VI. O primeiro anúncio de aulas de dança foi publicado em 13 de julho de 1811 na Gazeta do Rio de Janeiro. O anunciante foi Luís Lacombe, mestre de danças da casa real portuguesa e professor de dança de dom Pedro I.

Com o passar o tempo, a dança de salão evoluiu e chegou ao século XXI com diversidade rítmica e variação de andamentos. A origem de cada dança, a postura, a forma de locomoção e a utilização de espaço são características específicas e passaram a definir a divisão da dança de salão entre danças clássicas e latinas.

A Internacional DanceSport Federation (IDSF), órgão responsável pelas danças de competição, assume que dez ritmos fazem parte de duas modalidades de dança, sendo eles:

  • Danças Clássicas: Valsa Inglesa, Valsa Vienense, Tango, Slowfox e Quickstep.
  • Danças Latinas: Samba, Cha-Cha-Cha, Rumba, Paso Doble e Jive.

Esses ritmos estabelecem um padrão considerado integralmente apenas em competições. No âmbito social, também existem as mesmas modalidades de dança, clássicas e latinas, mas nelas não aparecem todos os dez ritmos estabelecidos pela IDSF.

Em uma escola de dança de salão, por exemplo, a grade pode variar. Há a constância de alguns ritmos, a ausência de outros e a inserção de muitos que, por terem surgido mais recentemente, ainda não entraram na classificação oficial de competição. Dançar, em uma escola, é uma atividade social e permite flexibilidade para determinar quais ritmos irão compor a grade do curso de dança de salão de acordo com a cultura, preferência e procura do público.

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