Sim, a dança ensina


por Keice Granzotto Casarri

Que saudade eu estava do blog! Ficar off por um tempo e descansar é ótimo, mas nada como o que é da gente, nosso lugarzinho.
Esse é o primeiro post de 2011 e para entrar com os dois pés no salão, trechos de uma simpática crônica de Martha Medeiros. Incentivo para quem já dança continuar e para quem ainda não se rendeu a esse prazer, começar!

“Reclamar de tédio é fácil, difícil é levantar da cadeira para fazer alguma coisa que nunca se fez. Dia desses aceitei um desafio: fiz uma aula de dança de salão, roxa de vergonha por ter que enfrentar um professor, um espelho enorme, outros alunos e meu total despreparo.
…A graça da coisa é esta: reconhecer-se virgem. Com soberba não se aprende nada. Entrei na academia rígida feito um membro da guarda real e sai de lá praticamente uma mulata globeleza.
Exageros à parte, a dança sempre me despertou fascínio…o simples prazer de dançar bastaria para justificar a prática, mas vivemos num mundo onde todos se perguntam o tempo todo “para que serve?”
Para que serve um beijo, para que serve ler, para que serve um pôr-do-sol? É a síndrome da utilidade. Pois bem, dançar tem, sim, uma serventia. Nos ensina a ter confiança, se é que alguém lembra o que é isso.
Hoje ninguém confia. Confiar é verbo em desuso. Você não confia em desconhecidos, e também em muitos dos seus conhecidos. Não confia que irão lhe ajudar, não confia que irão chegar na hora marcada, não confia os seus segredos e não confia seu dinheiro.
…Então, de repente, o que alguém pede a você? Que diga sim. Que escute atentamente a música. Que apóie seus braços em outro corpo. Que se deixe conduzir. Que não tenha vergonha. Que libere seus movimentos. Que se entregue.
Qualquer um pode dançar sozinho…mas dançar com outra pessoa, formando um par, é um ritual que exige uma espécie diferente de sintonia. Olhos nos olhos, acerto de ritmo. Hora de confiar no que o parceiro está propondo. Confiar que será possível acompanhá-lo, confiar que não está sendo ridículo, nem submisso, esta se criando uma forma diferente e mágica de convivência...é uma espécie de conexão silenciosa, de pacto, um outro jeito de fazer amor.
Dançar é tão bom que nem precisava servir pra nada, mas serve!”

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