Por uma educação mais dançante


por Keice Granzotto Casarri

Por razões historicamente determinadas a educação escolar tem privilegiado valores intelectuais em relação a valores corporais. Bèrge (1988, p.24) diz “(…) O cérebro se empanturra, enquanto o corpo permanece esfomeado.”

Pensar a educação dos corpos no espaço escolar pressupõe, primeiramente entender que o corpo não é apenas um dado material resultante da ação da natureza, mas sim uma construção cultural sobre a qual são conferidas diferentes marcas em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas, grupos sociais, étnicos, etc

 No contexto escolar, a dança pode ser um conteúdo que, ao trabalhado, visibiliza o caráter culturalmente construído dos nossos gestos e da maneira como nos expressamos. A dança é uma forma de linguagem, um conhecimento universal, um patrimônio da humanidade que igualmente precisa ser transmitido e assimilado pelos alunos. A esse conhecimento universal o indivíduo impõe sua intencionalidade para o lúdico, o artístico, o estético, idéias e conceitos onde desenvolve um sentido pessoal que exprime a sua subjetividade.

 Atualmente existe uma melhor compreensão a respeito dos valores formativos e criativos da dança, que levam a uma ampliação das ações corporais. No Brasil e no mundo, a dança vem ganhando cada vez mais espaço pelos benefícios comprovados e, com isso, espera-se que não falte muito para que a dança possa fazer parte do currículo nas escolas brasileiras. Como coloca Pereira (2001, p.61):

“(…) a dança é um conteúdo fundamental a ser trabalhado na escola: com ela, pode levar os alunos a conhecerem a si próprios e os outros; a explorar o mundo da emoção e da imaginação; a criarem; a explorar novos sentidos, movimentos livres (…). Verifica-se assim, as infinitas possibilidades de trabalho para o aluno com sua corporeidade por meio dessa atividade.”

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4 Respostas

  1. Keice,
    Adorei seu blog, você tem referências muito boas e interessantes. Sobre o tema em questão, as escolas estão tendo uma preocupação maior a dança, mas na maioria das vezes fazem isso como algo a parte, ainda não entenderam a real importância. Falo isso porque já trabalhei e trabalho em escola do ensino fundamental e médio e a cada dia tenho que reivindicar melhores condições para trabalhar, pois me vejo o tempo todo de escanteio. A luta é diária para nós educadores, ainda bem que compensa!!!
    Bjussssss 🙂

    • Oi May!
      Que bom que gostou do blog!
      Obrigada por deixar sua opinião registrada, também sou à favor de que a dança faça parte do dia a dia das escolas. A dança é um meio quase ilimitado de aprendizagem e é uma possibilidade de trabalhar valências ecléticas, você tem razão quando diz que as escolas ainda não entenderam a real importância disso. Tomara que esse GAP seja em breve ajustado, pois quando acontecer, os benefícios serão bons para todos: para vocês, educadores, para as escolas e para os alunos.
      Passe por aqui sempre que desejar. Ficarei feliz com a visita!
      Bjs

  2. Saudações, Keice. Sou aprendiz de dança de salão e, por vocação, educador. Muito interessante esta proposta sobre a dança de salão integrar a grade curricular das escolas brasileiras. Comungo desta perspectiva. E não só a dança, mas também a música, a culinária, o artesanato e outras tão fecundas possibilidades. Creio que alguém já tenha dito que a arte educa os sentidos. Dizem que um dos papéis da escola é tornar as crianças mais competentes em termos de expressão e comunicabilidade. E se considerarmos a etimologia da palavra comunicar, que nada mais é do que “tornar comum”, o que poderia ser mais apropriado que a arte como cultura? Em especial, a dança a dois que envolve o toque, o olhar, a cumplicidade, o fino trato com a sexualidade, a socialização e, principalmente, o que nos é de uma carência ímpar em nossos dias: um trabalho apurado para se desenvolver o “espírito de finesse”. De fato, historicamente se privilegiou o intelecto, ou melhor, a intelectualidade pura, abstrata, sem levar em conta que somos um ser de dimensões que se misturam mas não se separam. Então, se mente sã é sinônimo de corpo são, é de bom grado lembrar que a recíproca é verdadeira também… rs Se possível, poderia me passar a referência bibliográfica sobre a última citação de seu texto a respeito da dança na escola? Grato! Um abraço!

    • Juninho,
      Que bom que partilhamos de uma mesma idéia. Agradeço por ter dividido sua opinião sobre este tema comigo e com os leitores. Espero que tenha gostado do blog e que passe por aqui sempre que desejar. Esteja sempre à vontade para deixar seus comentários e contribuições.
      Sobre a minha última citação no texto, aqui está a referência bibliográfica: PEREIRA, S. R. C. et al., Dança na escola: desenvolvendo a emoção e o pensamento. Revista Kinesis, Porto Alegre, n. 25, p.60- 61, 2001.
      Obrigada!

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