A dança de salão e o gênero masculino


Keice Granzotto Casarri

Gênero abrange as construções sociais para homens e mulheres, formadas por uma cultura, ou como bem consideram Souza & Altmann ao citar Scott (1995, p. 89), gênero é um elemento constitutivo nas relações sociais que nos permite perceber as diferenças não só físicas entre os sexos, mas também as diferenças socialmente e culturalmente constituídas que acabam sendo admitidas naturalmente.

Percebe-se que historicamente, as culturas se encarregam às distinções da natureza e tentam metodicamente formar uma direção de comportamento às mulheres e outra dimensão aos homens. Pensando no mundo da dança, quando uma mulher dança ninguém se importa, mas quando um homem dança, é outra coisa. O homem que dança se torna um tipo especial das minorias e é onde tal do “gênero”, com suas classificações de movimentos corporais socialmente construídos e estereótipo de homens e mulheres estabelecido, aparece escancaradamente.

É do exposto acima, que a dança de salão vem quebrando alguns tabus e pré-conceitos. Nas últimas décadas os papéis desempenhados por homens e mulheres na sociedade têm sofrido modificações que, invariavelmente, influenciam todas as instâncias e práticas do cotidiano e a dança de salão, por ser uma linguagem que normalmente está diretamente ligada ao público de várias camadas sociais com ideologias diferenciadas, tem o seu fazer artístico fortemente influenciado por essas mudanças.

Atualmente, os homens que praticam a dança social estão conquistando o respeito e sendo representados por figuras fortes de posição importante e a utopia aqui, é que cada vez mais os homens livrem-se das amarras sociais e de atitudes inexplicáveis que os fazem sisudos, fechados e carrancudos. Que aventurem-se no salão em passos, manobras, piruetas e gingados que o corpo e a alma puderem expressar. Dançar é terapêutico, energético e vibrante. É coisa de homem sim, porque homem também é ser humano.

Todo estilo de dança deve ser entendido não apenas como resultado artístico de um processo histórico das civilizações, que se mantêm em constante evolução com suas características, seus costumes, comportamentos e lazer, mas também como retrato da capacidade expressiva e cultural de cada um. Dançar é um patrimônio herdado que não se limita a formas tradicionais de gêneros porque é arte viva e se transforma de acordo com as idéias de cada tempo e lugar, incorporando inovações com inúmeras linguagens e possibilidades. Por isso, damas e cavalheiros, viajem na melodia universal que tem o mundo como palco: dançem.

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