Zouk, o que estão fazendo com você?


Zoukpor Keice Granzotto Casarri

Quando comecei a dar meus primeiros passos no Zouk, era impressionante a falta de procura por esse ritmo. Nas escolas quase não havia turmas e as que já estavam em andamento, mais cedo do que tarde, acabavam. As pessoas achavam a dança muito difícil e os poucos que tentavam, desistiam, porque (de fato) os movimentos exiges muito do praticante, é preciso treino e paciência.

Atualmente, depois que o Zouk se propagou, cada vez mais, cria-se uma imagem deturpada desse ritmo, que é “meu queridinho”.  Hoje vejo em muitas pistas por aí, o que parece ser um novo estilo de dançar. As pessoas estão deixando a dança mais sexual ao invés de sensual.

Enquanto alguns se esforçam para dançar cada vez melhor, há uma pequena porção que se dedica a ser vulgar, e sofre de vulgaridade por querer ser singular ao extremo. Muitos se aventuram no ritmo por enxergá-lo como uma possibilidade de sedução. Uma maneira de ficar mais próximo de alguém, de colocar uma mão aqui e outra acolá, e entre um cambret e outro, quem sabe não rola uns amassos!? E, sendo bem sincera, tenho sentido esse comportamento muito mais por parte do público feminino.

Tem muita mulher que utiliza-se do Zouk para se sentir a Afrodite da vez, a desejada do momento e, por alguns minutos, exibir suas curvas (poderosas ou não).  E no meio disso, onde fica a  beleza dos movimentos e a elegância? Que se lasquem!?  Falta de pudor e senso de ridículo, também estão saindo para dançar. Tem dias que sinto saudade do passado!

Felizmente, ainda existem aqueles, homens e mulheres, que se entregam ao Zouk de corpo e alma. São os que dançam com técnica, respeitam a qualidade dos movimentos e que com naturalidade, de forma sinuosa e fluida, contagiam e conseguem transmitir todo encantamento dessa dança. Esses sim, conquistam os olhares pelo charme e, consequentemente, se tornam sensuais.

Como diz Jaime Aroxa, “Há dois dias que o ser humano jamais esquece: o dia do seu nascimento e o dia em que ele aprende a dançar”. Então, se liga nesse conselho e antes de dizer que dança Zouk, aprende a dançar!

Anúncios

13 Respostas

  1. Esta questão do que é sensual e o que é sexual tem se apresentado de forma cada vez mais relativa… Ouso dizer que, no Brasil, não é a minoria das pessoas que tem vulgarizado o Zouk, e várias outras modalidades de danças a dois, mas sim, uma parcela que pode ser representada por mais de 50% dos bailarinos semi profissionais e profissionais. O bom senso está em baixa na dança brasileira e muitos, simplesmente, não conseguem enxergar. Acreditam que sua movimentação incessante de quadril e o constante atrito entre os orgãos genitais são representações SENSUAIS e não SEXUAIS. Têm ignorado a opinião pública e leiga (que é a mais importante para os profissionais), levando em consideração apenas a sua particular e isso tem destruído a imagem moral das danças a dois no Brasil. Uma triste realidade que o verdadeiros alvos desta crítica não concordam (lógico!).

  2. Cavalheiro não é poste para ficar parado e servir de apoio para os giros e/ou rebolados desconexos que já estamos acostumados a ver, realmente isso não está com nada. Cavalheiro é aquele que “jinga” junto com a Dama e em sintonia com a música. Isso é o A B C de dançar Zouk.

  3. Danço Zouk há 27 anos e não entendo como o Zouk de antigamente sumiu. Nossa q saudade! São muitas músicas lindas q não ouço mais. Pelo que percebi, o Zouk do qual estou me referindo, está morrendo aos poucos.

  4. Adorei seu texto e até agora ninguém tinha falado sobre isso! Muitas vezes pessoas leigas no assunto me falam “nossa mas é muita agarração” e isso me deixa aborrecida e triste porque sei que o Zouk não é nada do que se rotula por aí. Parabéns você escreve e se expressa bem, adorei seu blog. Bjus

    • Vanessa,
      Que bom que gostou do texto e obrigada pelo elogio ao blog! Nos que sabemos como é o Zouk de verdade, temos a obrigação de esclarecer os que rotulam pelo que vêem por aí. Continue visitando o blog, ficarei feliz!

  5. E isso aí, querida amiga!
    Estou repassando para 2 amigas o seu texto!
    Gostei muito!!!!
    Elaine Vilela

    • Que bom que gostou Elaine!
      Repasse, por favor, pois quanto mais as pessoas se concientizarem, melhor: para quem dança e para quem asssite!
      Bjs

  6. E ainda tem aqueles que dançam um Zouk morto. O parceiro fica lá, quase nem se move, enquanto a dama inventa movimentos que nada transmitem, uma “dança” totalmente robotizada.

    Ótimo post. Parabéns por tudo que você escreve e pensa!

    • Realmente. Sempre tem alguns que acham que bonito mesmo é só rebolar, mas o que aprendi nestes anos de dança é que primeiro devemos limpar nossa alma e nosso coração e só depois ir dançar, porque aí sim, saíra uma dança bonita de se ver e sentir.

    • Alan,
      Fico feliz que tenha gostado do post.
      Acho que pior do que ficar lá sem se mover e a parte de “inventar” movimentos. Se as damas entendessem que menos é mais, seria tudo sútil e coerente

  7. Gostei da sinceridade! É isso, pessoas precisam se diferenciar de coisas.

    • As pessoas precisam diferenciar as coisas. Dança é tudo de bom e quem dera se todas as pessoas dançasem com o coração. É uma sensação única que, por mais incrível que pareça, esta dentro de cada um de nós.

    • Jotacê,
      Comigo sempre foi assim, sinceridade sempre. Você tem toda razão, a palavra de ordem é diferenciar, afinal, ninguém é objeto inanimado…rs!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: